setembro 12, 2009
Sofrimento. Dor. Angústia.
Caos. Morte. Destruição.
Isso tudo resume o nebuloso segmento das versões musicais, que aterrorizam a vida de pessoas normais, como eu e você. De vez em quando a gente nem percebe que AQUILO que se ouve é uma versão, mas algumas vezes simplesmente não tem como não saber/perceber. E pior: algumas versões não se restringem a versões brasileiras de músicas estrangeiras, mas podem ser versões brasileiras ruins de uma música brasileira boa ou – pasmem – não! Agora o que faz alguém regravar uma música brasileira ruim na mesma língua? Fica no ar o mistério disso tudo… É uma dor sem tamanho pensar que uma música já ruim é reproduzida numa versão from hell por uma banda/dupla/cantor também from hell. Mas pior que tudo é ver uma música boa sendo destruída por pessoas sem MO-RAL, sem DI-GUI-NI-DA-DE. Vamos ao freak show que eu selecionei em uma GAMA – por que não semi-infinita? – de opções.
- Latino & Daddy Kall – Amigo fura olho. Essa é de fazer a cabeça explodir. Vamos refletir: o que seria pior que uma versão ruim de uma música ruim cantada em português ou inglês? Resposta: uma versão em inglês de “Então é Natal”, de Simone? De certa forma, sim, mas a idéia de uma música ruim EM ESPANHOL virar uma música ruim em português também é perturbadora. De qualquer forma, Latino é PRO em fazer aversões musicais (vide o original de FESTA NO APÊ e o novo lançamento de Latino com BOCHECHA, numa versão destruída do tema dos caça fantasmas), tanto que tentei não bater muito na mesma tecla e não saturar esse top com várias opções dele. Enfim, voltando a essa música from hell: talvez seja o melhor exemplo de aversão musical. Não bastasse a porcaria que é a música original, de Don Omar (who?) e outro mané lá, Latino resolveu ir ao mais extremo nível. “Acho que a língua espanhola não transmite toda a mensagem que essa música pode passar”, pensou. “Farei uma versão em português, para levar aos corações brasileiros tamanha mensagem de amor”. Intrigado em cantar uma música-diálogo sozinho, pensou: “Quem deveria convidar pra fazer dessa música um sucesso? Por que não Daddy Kall?”. E fez-se apagaram a luz. Mas pra fechar com chave de ouro, nada melhor que um clipe IDÊNTICO ao original. Enfim, deu no que deu, a música é um lixo, etc. Adoro músicas com TRI-ÂN-GU-LÔ amoroso. (Destaques) “Quando as coisas tem que acontecer, elas simplesmente acontecem. E a gente tem que compreender” / “Essa é pra pensar!” em se matar / “Vivo um triângulôôôôô” / “Eu saí com tua mulher! Eu saí, saí, saí, saí, saí, saí!” / “O QUÊ!?” / “Perdi um amigo pro fantasma da tentação… Perdão!“, tá perdoado! Next!;
- Chitãozinho & Xororó – Palavras. Palavras que eu não tenho pra descrever tamanha desgraça. Incompletos com as músicas sertanejas e o sucesso do Rei do Gado, surge a idéia de dominação mundial regravar Bee Gees, por que não? E foi o que fizeram com Words (pensem, podia ser pior… podiam ter traduzido como Mundos, há!). Tá certo, Bee Gees tem uma alta tendência de músicas de corno, mas transformar uma música já com tendências em um sertanejo é arrombar o armário e tirar a pobre música de lá com requintes de crueldade. Crueldade, aliás, recorrente na carreira de C&X, que fazem questão de regravar músicas alheias. Exploda a sua cabeça com a versão híbrida das músicas! (Destaques) “É tempo de amar, e quero me entregar, amor“, boooooring;
- Sandy & Júnior – Imortal. Essa família da pesada vai fazer tremer as caixas de som e eletrizar as suas tardes de sábado! Considerando o item anterior, podemos estabelecer uma origem genética para o evidente dom de fazer versões musicais. Sandy & Júnior nos presentearam com essa bela versão de Imortality, de Celine Dion (reparem: Celine Dion canta com Bee Gees, o que nos remete claramente à preferência genética do legado Xororó com relação aos Bee Gees). Num universo onde “we don’t say goodbye” vira “o que é imortal“, Sandy e seu irmão coadjuvante (who?) fazem sucesso e o fim é próximo. Vamos dar um upgrade nessa versão? Veja a versão remixada imediatamente e babem no visual Matrix! (Destaques) “Eu cresci e agora sou mulher, tenho que encarar com muita fé” / “O que é imortal não morre no final“, acho que essa definição está no Aurélio / “Isso não vai ter fim“, toda vez me desespero quando ouço isso… Mas daí eu penso: é uma música, ela vai acabar / “Nem que eu quiser você sai de mim“, é o meu sentimento quando eu ouço essa música… / “Você no meu lugar faria exatamente igual“, ok, todo mundo erra fazendo uma aversão musical… Próxima;
- Sex Pistols – My Way. Uma versão merda ilimitada de uma música foda. Deprimente. Não tem destaques. Próxima;
- Kelly Key – Indecisão. Kelly Key, assim como seu ex, Latino, adora versões. Isso acaba demonstrando o envolvimento do ambiente no dom de versões musicais: obviamente há determinismo ambiental. Uma das primeiras OBRAS de KK foi Barbie Girl, uma versão tão tosca quanto a original, do Aqua. No entanto, 2009 é o ano da superação: KK resolve “aversionar” Britney Spears, alcançando os mais sujos patamares do mau gosto. Indecisão é versão de Sometimes, um dos primeiros sucessos da Britney. Lição do dia: há sempre uma forma de piorar. (Destaques) “Você diz que sente por mim amor sincero que nunca vai ter um fim“, quem lembrou do Latino, levanta a mão / “Mas algum dia eu sei, vai passar…“, basta cobrir a tatuagem antiga com uma nova! Próxima;
- Julio Iglesias – Mal acostumbrado. Tão ruim quanto pegar uma música ruim em espanhol e fazer uma versão em português é pegar uma música ruim em português e fazer uma versão em espanhol! Tamanha desgraça é ouvir Julio Iglesias cantando Mal acostumBBBBBBBrado, versão do – PREPARE-SE – Araketu, mal acostumado. Achava que já tinha visto de tudo, né? (Destaques) “Un ticket de ida y vuelta, fuí tan sólo para tí“, what? / “Devuélveme un trocito de mi vida“, UÁTI? Próximo;
- Stefhany – Eu sou Stefhany. Uma maravilhosa e bela versão de “A thousand miles“, de Vanessa Carlton. A música é bem poética, com assuntos de corno somados à necessidade de mostrar seu carro novo. A música só melhora com o desenvolver do forró. (Destaques) “Eu sou linda, absoluta, eu sou Stefhany” / “No meu Crossfox eu vou sair“, nada contra os fusquinhas, acho ótimo. Vai;
- Mr. Catra – Adultério. Um exemplo claro de que uma música pode ser destruída até mesmo em sua língua mãe. Tédio, do Biquíni Cavadão, foi violentada sem dó nessa versão from hell do Mr. Catra. Há quem diga que “Esse é o meu drama”, da versão original, seria uma referência óbvia à aversão que surgiria, pois desde aquele tempo já era possível sentir a cavalgada do infortúnio que viria. Como todo bom (SIC) funk, existem várias versões (proibidão, versão caldeirão do Huck, etc.). (Destaques) “Sua roupa tá cheia de lama e a cachorra tá na cama” é uma incógnita da música moderna / “Whisky e salame energético, quanta mulher boa!“;
- KLB – Não devo mais ficar. Só me pergunto: WHY, GOD, WHY!? Fã é fã e gosta de KLB até estragando “Have you ever seen the rain”. Confesso que a versão não é do KLB, mas eles optaram por propagar isso tudo com seu dom da música. Tô perdendo as forças pra falar dessas músicas. Reparem: não parece Chitãozinho & Xororó cantando? Seria KLB os novos C&X? Dariam eles a luz à nova dupla de crianças-prodígio? Haverá amanhã? Is this real life? (Destaques) “É você quem quer assim, vive a zombar de mim“, POR QUÊ SERÁAAA? Vai;
- Calcinha Preta – Paulinha. Quero deixar claro que existem inúmeras aversões musicais de forró, mas se eu colocasse todas, podia fazer um top só de aversões de forró. Então deixo destaque pra não vale mais chorar por ele e Boa Sorte (já ruim na versão original e híbrida da Vanessa da Mata). Quando ouvi essa aversão do Calcinha Preta, minha cabeça explodiu. Originalmente de Harry Nilson, mas também cantada por Mariah Carey, a música original é bem bonita. Agora chegar a descobrir que existe uma música chamada PAULINHA, que está no TERCEIRO DVD da banda (SIC) CALCINHA PRETA faz a cabeça de qualquer um explodir. DVD? 3 DVDS? MEO DEOLSSSS! De verdade, prefiro a versão do Ídolos Bulgária, Ken Lee, até a sonoridade é melhor. Esses forrozeiros from hell do Brasil tornam o convívio musical sofrido… (Destaques) “Paulinha” desfilando no palco na gravação do DVD, vejam no link acima / “Paulinha, me diz o que é que eu façuuuuuuuuuuuuuu!? Paulinha, te amo, amor!” / “Paulinha, por quê se casou!?????!??!?“
PS: como as (a)versões tendem ao infinito (ex. Amor e Poder, da Rosana, É isso aí, de Ana Carolina e Seu Jorge, qualquer uma da Danni Carlos, etc.), provavelmente não coloquei várias que mereceriam destaque. E também achei bem difícil estabelecer uma ordem de desgracença pra elas, então a ordem acima não indica um grau de comprometimento real da música original.
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Escrito por LG
novembro 18, 2008
Comida de rico me irrita. Agridoce não passa de uma comida indecisa que tenta agradar qualquer pessoa usando várias armas de uma só vez. Sem sucesso. E comida de rico acompanha normas de etiqueta e aquele punhado de talheres que ninguém sabe usar. E um monte de copos e taças pra cada bebida. É uma frescura infinita pra comida nem tão boa assim, que quase sempre é feita com ingredientes que é melhor não saber. Por isso resolvi fazer um Ode às comidas de pobre, que alcançam alto nível de aceitação e satisfação com pouca grana e frescura. Lá vamos nós:
- Abobrinha refogada: a rainha da pobreza culinária… Um dos meus favoritos! A abobrinha afogada refogada nada mais é que abobrinha temperada e afogadinha. Ou seja, você gasta mais no gás que usa pra cozinhar que no próprio prato. E isso é bom, afinal, se você estragar a receita, gasta menos que um mentos… Imagina estragar receita com lagosta? A abobrinha refogada funciona muito bem quando você não tem muita coisa pra comer: basta revirar toda a comida no prato com a abobrinha refogada e comer a lavagem resultante. E ainda é mole o bastante pra ser deglutida por desdentados (por isso comida de pobre? Fica aí questão e a piada de humor negro no ar). Eu recomendo.
- Mortadela com limão: um clássico da culinária de boteco! Quando eu vejo isso, já sinto o cheiro de cachaça que acompanha o prato. Isso não é necessariamente verdade, o que faz do prato apresentável para crionças crianças. O melhor é comer isso a noite e sofrer com azia. Ou comer de dia e lembrar do que comeu durante todo o dia. Comida de pobre tem que ser assim: barata e marcante. E dispensa as frescuras dos talheres: você come até com a mão. Se bem que qualquer coisa você come com a mão, se quiser. Um dia vou comer com a mão em um casamento. Receita: corte mortadela em cubos. Esprema um limão. Evite queimaduras lavando as mãos. Duh.
- Carne moída: o casal perfeito da abobrinha refogada. A carne “miúda” se junta às comidas que podem ser reviradas no prato e comidas como lavagem, na ausência de outras comidas. É relativamente barata, porque a carna miúda nada mais é que todo tipo de resto de frigorífico e partes podres do boi, moídas. Sua mãe pede pra você pedir carne de primeira moída, mas enquanto você pisca, acaba recebendo carne de procedência duvidosa. E se duvidar, nem é de boi. É sempre assim, e por isso é bom. Eu tenho uma teoria de que comida, quanto mais suja, mais saborosa. Para mais detalhes, veja item 6.
- Churros: uma das delícias de eventos em geral. Sempre tem um cara vendendo churros perto de qualquer evento, não importa qual. E sempre tem gente comprando, lógico, porque por mais nojento e gorduroso, é bom. Ou é bom por ser nojento e gorduroso? Fica aí a dúvida. Melhor ainda é quando, além do recheio de Staphylococcus aureus doce de leite, ainda oferecem aquelas porcarias pra colocar por cima, como amêndoas (quer enganar quem? é amendoim, porra), côco ralado, granulado e mais outras coisas que reduzem ainda mais a qualidade do doce. Legal é ver aquela massa crua fazendo aniversário recentemente preparada sendo moldada na hora e colocada no petróleo óleo novo, resultando um belo churro escorrendo sequinho. E como toda comida de pobre, enche pra caramba.
- Pastel de feira: oficialmente confeccionado por uma família de origem oriental, mas existente nas versões genéricas. As pessoas que fritam pastéis na feira são muito limpas e, em geral, são tão oleosas quanto o próprio produto final. A vantagem é poder escolher infinitos recheios, embora a única diferença entre eles seja o preço, já que recheio é o que você menos encontra nos pastéis. Os sabores podem ser explicados matematicamente, de acordo com a equação ”y = a + x”, onde y é o sabor oferecido pela banca do pastel, a é AR QUENTE, constante, e x é a variável, o recheio que deveria acompanhar o ar quente. O legal é que os caras até sabem que o pastel é sem recheio, tanto que eles oferecem bondosamente aquele vinagrete suspeito pras pessoas atucharem até a boca temperarem o pastel. Em geral, você pode comprar outras delícias no mesmo local: coxinha, kibe e diversos outros quitutes feitos com tudo que sobrou.
- Dogão da esquina: o mais pedido entre universitários que moram em república e não tem o que comer a noite. O dogão é o melhor exemplo de comida que só é boa quando é suja. Repare: todo dogão bom acaba sendo fechado pela vigilância sanitária. Uma puta injustiça, já que os caras só fazem os clientes felizes! O dogão, por si só, é um prato incapaz de ser ruim, já que contém apenas ingredientes selecionados pelos paladares mais exigentes: a. salsicha, um embutido de papelão e corante que também leva carne em sua composição. b. bigatos verduras criteriosamente selecionadas. Dessa forma, o dogão alcança as mais intensas exigências nutricionais, já que traz o universo das saladas para os jovens em fase de crescimento, colocando ao dispor de todos eles uma alimentação saudável e balanceada. c. Molhos. Aquela maionese temperada verde é o sucesso dos dogão da esquina. O segredo? Sujeira. Embora o processo de confecção seja asséptico (oi?), os donos dos dogão temperam as maioneses com Salmonella, Shigella e afins, resultando no gosto sem comparações. Diarréia pós-dogão (os bons, pelo menos) vira rotina, mas é o preço a se pagar. Afinal, um pouco de bactéria não mata ninguém! Saibam vocês que as bactérias podem ser o único tipo de cultura que uma pessoa tem, então não vamos jogar essa chance fora. Sem contar que você estimula o sistema imune, que tá tão acostumado com essa vida asséptica que nem sabe mais como funcionar! O esquema é planejar a criação dos nossos filhos: alimentá-los com dogão, deixá-los brincar no lixão e lamber sola de sapato. d. Adicionais. Aí vem a melhor parte, já que você pode adicionar ossos de frango, gordura trans e saturada bacon e calabresa, purê de batata, ervilha, milho, ovo frito, hambúrger E O DIABO A QUATRO, fazendo com que o dogão, que já era irresistível, se torne insuportavelmente irresistível e sujo. Dica do dia: prefiram comprar no dogão que não tem estrutura fixa, pia e nada que possa comprometer a sujeira do produto final.
Enfim, higiene é tudo… Não coloquei na lista o churrasco grego porque nunca tive a coragem oportunidade de degustar. Mas fica aí um desafio a ser cumprido! Vou pra Foz num dia desses, e quem sabe terei a chance de provar esse delicioso prato típico diretamente na fonte: o Paraguai.
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Escrito por LG
novembro 3, 2008
Música de fossa, de suicídio e afins. Peguem seus barbitúricos.
- In The Real World (Roy Orbison): é isso mesmo, o mundo fede. Você sonha com as coisas que deveriam acontecer, mas você vive na realidade. Então se fode aí. Não gostou? Foda-se, não vai mudar. Você ama alguém? Foda-se, vai ter que dar tchau. “There are things that we can’t change and endings come to us in ways that we can’t rearrange, I love you and you love me, but sometimes we must let it be…“. Créu;
- The Winner Takes It All (ABBA): se fodeu geral. Você não queria acabar, mas o outro quis, então já era. Basicamente isso. O cara que fez a música foi chutado pela mulher, que quis ficar com outro cara. Daí ele ficou desconsolado, chorou, esperneou e fez drama psicológico. Agora ele tá conformado, então fica aceitando a derrota durante toda a música. Detalhe bacana é que o casal é do ABBA. E o cara que foi chutado, sacana, compôs a música e botou pra ex dele cantar. Que vingança maligna… A música também tem umas partes meio cornas, do tipo “Tell me, does she kiss like I used to kiss you? Does it feel the same when she calls your name?“. O legal é que essa música é puramente triste, sem aquela aura purpurinada de ABBA. E ainda entraria de boa pro Hall dos Corno-Hits;
- Crying In The Rain (A-Ha): nessa o papo é outro: ao invés de aceitar e ficar fazendo drama, o cara esconde que ainda gosta de quem meteu a bica nele… Então ele engole (ou cospe?) o choro e não demonstra nada, pra tentar foder a pessoa, mas ele é que se fode. Chora na chuva pra não perceberem que ele tá sofrendo… Mas que emo, que bichinha. “I will never let you see the way my broken heart is hurting me, I’ve got my pride and I know how to hide all my sorrow and pain“. OK, a música é triste;
- Creep (Radiohead): essa é sobre um cara que curte uma Srta. Perfeita (Sandy? Fica a dúvida), enquanto ele é apenas um escroto qualquer, esquisitão, bizarro e, provavelmente, pobre. “I’m a creep, I’m a weirdo, what the hell am I doing here? I don’t belong here…“. É bem isso, que diabos você está fazendo aqui? VOCÊ NÃO É ESPECIAL, RECOLHA-SE! Essa mania das pessoas se apaixonarem por Cheerleaders irrita… Depois ficam reclamando que é muita areia pro caminhão e tudo mais. Se fosse uma baranga, você não ia nem estar se fodendo pra ser especial e tudo mais;
- The Scientist (Coldplay): um cara metido com ciência deixava tudo de lado, inclusive sua namorada, pra “contribuir com o progresso”. Mas daí ele percebe que se ausentou de tudo e que a ciência não completa mais a sua vida (“Questions of science, science and progress, do not speak as loud as my heart“), por isso e tenta voltar atrás. . Daí ele percebe o quanto ela era bacana e o quanto precisa dela. Se fodeu. Vai na porta da esperança e pede mais uma chance, que tal? É difícil entender toda essa parada de sentimentos… Então vamos resumir de maneira simples: como diria aquela música das Velhas Virgens: “Mas garrafa de bebida não é mulher, não dá pra transar com o gargalo, o buraquinho é muito apertado“. Que delicadeza…
- Noturno (Fagner): esse também se fodeu. E bastante… Tanto que agora ele é bem durão e desiludido. Não acredita no amor, na esperança, etc., ao ponto de assumir que vai ser solitário nessa vida. Começo a me identificar. Cuidado Fagner, esse papo de ser sozinho me lembra All By Myself… Daí você vai ter que fazer tudo sozinho (tudo!?), até borbulhas de amor e afins. Confesso que gosto de Fagner… A voz dele, nessa música, passa bem o sentido de sofrimento… “Não acredito mais no fogo ingênuo da paixão, são tantas ilusões perdidas na lembrança, nessa estrada só quem pode me seguir sou eu“.
- Making Love Out of Nothing At All (Air Supply): o cara é foda, famoso, rico, etc., mas não consegue viver sem a amada. Ele lista váaaaaarias coisas que ele sabe fazer bem, inclusive coisas que sabe sobre ela, mas paga pau, fica de quatro por ela e tudo mais, se declara, se descabela (“But Im never gonna make it without you, do you really want to see me crawl?“). Essa música não é recomendada pra diabéticos: tem uma parte que é tão melosa que até eu quase entro em coma…
- Linger (The Cranberries): mais um corno-Hit dos bons… Diz a lenda que Dolores, a cantora e compositora da música, escreveu isso pra um soldado. Não sei se é real, mas enfim… Ela se apaixonou por ele, um casinho rolou, ele teve que ir, mas prometeu voltar pra continuarem de onde eles pararam… E fim. Muito original! “Were you lying all the time? Was it just a game to you?“. Mas parece que ela o viu com outra garota depois disso, por isso escreveu a música… Daí ela fica um tanto quanto emputecida, já que ela comia bosta por ele, e acaba se sentindo bem usada quando, do nada, topa com ele de amores com outra garota… O bacana é que dá pra sentir que a música é cantada com sentimento mesmo, então é bem triste ouvir… “But I’m in so deep, you know I’m such a fool for you, you got me wrapped around your finger, do you have to let it linger?“;
- Ninguém (Pato Fu): essa eu não vou conseguir zoar muito, porque Pato Fu é a minha banda nacional favorita… A música é sobre uma pessoa que se sente sozinha (oi?), como se não tivesse ninguém. Ela vive os dias sem nada acontecer, se sentindo bem inútil. Então ela volta todo dia a um lugar, pra encontrar ninguém, e pessoa alguma sequer percebe a sua presença. Essa é uma das mais tristes deles, na minha opinião. “Tão só que quase posso escutar o dia matar a noite que chega ao fim“;
- Hurt (Johnny Cash/Nine Inch Nails): essa faz eu me sentir um lixo, mesmo eu não sendo usuário de drogas. OK, eu confessei que gosto da música do Bruno & Marrone com Calypso, mas nem tanto. Então, essa música é sobre auto-destruição e drogas… Ela foi composta pelo Nine Inch Nails, e eles entendem bastante de drogas (ho-ho)… Basicamente isso: a pessoa vê tudo desmoronando, se sente o rei da mentira, se incomoda em ver o que se tornou, vê todo mundo se afastando e sabe que vai decepcionar e foder com a vida de todo mundo que ficar por perto. Daí a vontade de começar de novo. A versão do Johnny Cash é bem mais intensa, muito triste… Mas a do NIN é mais perturbadora. Gosto das duas… “What have I become my sweetest friend? Everyone I know goes away in the end… And you could have it all, my empire of dirt, I will let you down, I will make you hurt“.
Bando de corno FDP que fica fazendo música triste pra gente pensar. Bem melhor ouvir Créu.
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Escrito por LG
outubro 27, 2008
Isso aí, que atire a primeira pedra quem nunca ouviu e gostou de alguma música bizarra. Todo mundo gosta de pelo menos uma… Aquela que você tem vergonha de contar pra alguém ou de ser pêgo ouvindo. Eu gosto de várias, não que eu saia contando pra todo mundo… Esse é o tipo de coisa que você reconhece, mas não deve sair contando pro mundo, a menos que você esteja preparado para retaliações. Fiz uma pequena lista com 8 vergonhas musicais minhas… Aceitem o lado negro musical de vocês…
- Por Que Brigamos? (Diana): essa é fantástica… Conta a história de uma pessoa que é tão apaixonada por uma outra pessoa vagabunda insensata a ponto de aceitar qualquer merda, daí vive chorando pelos cantos e remoendo as bostas que acontecem. E acha que tudo poderia ser melhor, com medo de que “a chama” apague. Você ganhou pontos na corrida dos cornos por ler esse comentário todo. Bem, é mais ou menos isso, a verdade é que a música é tão podre que eu mal consigo prestar muita atenção… (Destaque) “Oh meu amado, por que brigamos? Não posso mais viver assim, sempre chorando! A minha paz estou perdendo, a nossa vida deve ser de alegria!“;
- Não Se Vá (Jane e Herondi): outro corno-Hit fantástico! A música não podia ser mais clara: a moça se cansou e quer dar no pé, mas o cara insiste pra que ela fique. Só isso mesmo, a mesma canalhisse… O cara não ama mais, ciúme, sofrimento, dor, angústia. As músicas de corno são sempre as melhores. Recomendo. Aliás, eles fazem as pazes no fim da música. Mas o casal, que era casado mesmo, se separou pouco depois do sucesso. Irônico. (Destaques) “Não se vá, me dê uma chance outra vez, daqui pra frente tudo vai mudar… Me dê a mão com muito amor e nova vida vamos começar!” (bem Márcia Goldschmidt) e “Não se váaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!” (Clássico);
- Estrada do Sol (Perla): essa é foda… O encontro de um grande amor, depois de muita procura. Tão brega que faz parte da trilha sonora do filme “Domésticas” (nada contra, acho ótimo). Essa música tem aquele ar de rádio que a sua mãe ouvia. E o sotaque da Perla arremata a obra completa. (Destaque) “Buscava uma estrada: a estrada da vida… Ao invés de encontrar um amor, me achava perdida!” (atenção senhora Maria de Lourdes: seu filho encontra-se perdido e aguarda no caixa 3);
- Aguenta Coração (José Augusto): poxa, eu sei, mas eu gosto… Até tinha num CD que eu ouvia no carro… Uma pessoa traída pelo coração, vivia usando as outras (para similares, vide opção 7), mas agora se envolveu… Agora aguenta coração… O cara é um grande fdp que usa todo mundo e se fodeu, basicamente. Aliás, acho que esse cara é meio esquizofrênico, um pouco alterado, já que ele fica cantando essa música pro coração… Será que algum cantor diabético pensou em fazer uma música pro pâncreas (Adocica meu amor, adocica?)? Ira fez uma sobre rins… Zeca Pagodinho podia fazer uma pro fígado… (Destaques) “Por que que você foi se entregar se na verdade eu só queria uma aventura?” (sinceridade total aqui), “eu te falei que eu tinha medo, amar não é nenhum brinquedo!” (Dona Jura que o diga), “Agora aguenta coração, você não tem mais salvação, você apronta e esquece que você sou eu!” (my precious…);
- Prometemos Não Chorar (Barros de Alencar): essa é a perfeição… Na verdade, não é música: é um semi-monólogo com melodia. E coral. E uma mulher chorando. Não tem como ser melhor! É o seguinte: o cara paga de gatinho a música toda, dando um pé na bunda, com todo estilo, em uma coitada que só chora e se descabela. E fiquei sabendo que isso tocou nas rádios mesmo, era a Claudia Leite do passado… (Destaques) “lá lá lá lá lá láaaa“, “como derradeira lembrança sua, eu quero um sorriso” (olha que fdp, chuta e pede pra sorrir… a que ponto chegáaaaaamos), “o amor tem que ser alimentado todos os dias com pequenas coisas, com pequenas coisas que nós já não temos“ (um pequeno anel de brilhante, um pequeno carro 0 km, etc.), “o seu café está esfriando… Cuidado, o garçom está vindo, as pessoas estão olhando” (toma na cara, piranha!), “(mulher) EU TE AMO, TE QUERO, TE AMOOOOO! (Homem) Tchau. Tchau.“ (Flawless victory);
- Dois (Paulo Ricardo): essa é uma vergonha musical mais pelo cantor que pela música em si… Paulo Ricardo é cavar fundo no Hall da vergonha musical. Tanto que foi tema de novela do SBT. A voz de bêbado pela manhã é cômica… Conta a história de um cara que andava comendo saindo com alguém comprometida, mas leva um pé na bunda (se srrependeu de enfeitar a cabeça do marido?). Daí ela liga depois, pede penico, fala que tá facinha, etc., mas o cara esnoba. Ou não? Enfim, ele queria comer de novo, mas não pode… Acho que ele se converteu, algo assim. (Destaques) “Não era bem o que eu queria ouvir” (a gente sabe o que você queria ouvir), “Dirrepente (SIC) as coisas mudam de lugar e quem perdeu, pode ganhar!“, “teu silêncio preso na minha garganta” (eu sabia que tinha alguma coisa errada com a garganta dele…);
- All By Myself (Celine Dion): uma piranha qualquer, bem daquele tipo líder de torcida de colégio americano, se arrepende pelo seu passado. Nunca precisava de ninguém, usava todo mundo, dava pra quem aparecesse na frente e tudo mais. Agora ela tá velha, provavelmente meio acabada, liga pras pessoas e ninguém se importa. Afinal, já comeram mesmo. Daí ela tem que fazer tudo sozinha (tudo!?). Se fodeu. Isso sem contar que Celine Dion é um câncer musical… Música clássica de créditos de filmes. Ou então de começos de filmes tristes, onde as pessoas são feias, mas ficam bonitas. (Destaques) “When I was young, I never needed anyone, making love was just for fun, those days are gone“, “When I dial the telephone, nobody is home“. “Don’t wanna be all by myself anymore!“ (derramem uma lágrima pela vagabunda);
- Por Que Choras? (Bruno & Marrone e Calypso): Tchaaaau dignidade! Gosto mesmo, que inferno… Vai se foder, eu sei. Essa é a que eu mais me envergonho, já que é a fusão de uma dupla sertanoja com uma banda de forró, coisas que eu desprezo no universo musical. Tem até triângulo na música, meu pai do céu, estou condenado. Fala sobre uma pessoa que leva um pé na bunda, come o pão que o diabo amassou, etc., mas a pessoa que dá o pé volta atrás. E é esnobada. Até lembra um pouco a do Paulo Ricardo. Bem típica musica de corno, ainda mais com esse clima sertanojo/forró. (Destaques) “Valeu Joelmaaaaa, banda Calypso!” (valeu mesmo…), “você jogou, trapaceou, fazendo mal… e me deixando a beira do abismo! FOI EGOÍSMO SEU!” (tenso), “amar assim, melhor o fim, do que ter o seu amor por piedade“, “Agora chora, pedindo pra voltar de qualquer jeito” e “aqui dentro do meu peito existem marcas do seu abandono, que tiram o sono!“.
É foda.
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Escrito por LG
outubro 20, 2008
Todo mundo odeia alguma coisa, até a Sandy. Eu mesmo odeio várias. Mas entre essas várias, resolvi falar sobre 6 delas, 6 que me irritam bastante, não necessariamente em ordem de intensidade.

- Pombas: eu nem preciso explicar… As pombas são os seres viventes mais odiáveis do mundo! Viventes porque elas simplesmente vivem, não porque eu gostaria que isso acontecesse… Elas carregam praticamente uma flora (de fungos) e fauna (de carrapatos, pulgas e afins) própria, o que faz delas um ecossistema que voa. Voa e espalha de tudo pelo mundo… Paracoccidioides brasiliensis, Cryptococcus spp., etc., além de infestar qualquer cidade, até a mais no inferno possível, brotando sabe-se lá de onde! O bicho é tão sujo que nem pra churrasco serve. E cagam sobre tudo e todos, inclusive você. Por favor, matem uma pomba hoje;
- Cigarro: nada contra quem fuma, acho ótimo. Até porque quem fuma faz o favor de se retirar do pool genético do universo, favorecendo a evolução da espécie. Fumantes inconvenientes que fumam em todo lugar, especialmente perto do nariz de não fumantes… O que conforta é que o câncer cura o mau hábito de fumar;
- Visita: tem coisa mais insuportável? Se eu quisesse você aqui, eu convidava… Essa é a diferença de visita e convidado: a visita simplesmente aparece, do nada. E quase sempre, quando você menos gostaria de receber uma visita. E o pior: visita nunca vem sozinha… É sempre um casal, de preferência com filhos em idade própria pra destruir a sua casa e fazer com que 30 minutos durem horas. E a visita pode ser pior: a de família. Eu adoto uma política de que campainha deve ser atendida com moderação: eu olho quem toca, e se for conveniente, atendo. Quase nunca é mesmo… Campainha… Tá aí outra coisa odiável. Sinceramente, não visitem, esperem ser convidados. E se não forem, preencham suas vidas com outra coisa;
- Beterraba: odiável a idéia de uma “comida” que não se decide em ser doce ou salgada e ainda estraga tudo em que encosta! Tudo fica pink, com aquela cara de corante artificial cancerígeno. E ainda mancha os dentes. E faz o xixi mudar de cor. E tem gosto de terra. Tentem fazer um mousse de beterraba e um de terra, tingindo o de terra de pink, e façam o teste: é capaz de vocês comerem o de terra e jogar o de beterraba fora;
- Vegans: o que faz uma pessoa viver de mato e achar isso bom? Mas de verdade, não acho essas pessoas odiáveis… Acho odiáveis as que: (a) Tentam te convencer a virar um vegan também, (b) São vegans por considerar o SOFRIMENTO ANIMAL, (c) são vegans por se embasar em pseudo-teorias da biologia que sustentariam a idéia cretina. Ou todas essas. Sinceramente, vão chupar cana (aliás, cana vocês podem!)… Botar imagem de folhinha na foto do Orkut? Uma vaca só não come você e a sua família toda por não conseguir;
- Paraguai: quem no Brasil não desejou alguma vez na vida conhecer o Paraguai? Muitas… E quem entre as pessoas que já conheceram contam os dias pra voltar lá? NENHUMA. E isso tem motivos, é quase inexplicável, se não fosse uma velha comparação que eu fiz pra demonstrar pra uma amiga como é estar no Paraguai: (Materiais utilizados) Um banheiro, caixas de papelão, cachorro, muitas roupas, badulaques diversos, urina, churrasqueira e carne, jornal, um rádio, pessoas à gosto. (Metodologia) O banheiro deve ser o menor possível. Rasgue jornal e espalhe pelo chão. Escolha um canto (ou mais de um) e urine. Prepare o banheiro 3 dias antes da realização do evento e o mantenha fechado. No dia do evento, espalhe caixas de papelão pelo banheiro como se fossem bancas de venda. As caixas que sobrarem, empilhe em locais estratégicos. Disponha roupas e badulaques sobre as caixas. Sobre um canto (de preferência o que foi urinado), estabeleça uma churrasqueira e faça espetinhos (ou churrasco grego, para uma simulação mais concreta). Deixe algumas pessoas responsáveis por algumas bancas, como se fossem donos. Deixe outras pessoas simplesmente andando pelo banheiro. Os vendedores devem gritar pra vender os produtos e os consumidores devem gritar pra conversar entre si. Ligue o rádio e deixe ele fora de sintonia. Solte um cachorro. Feche a porta. Me contem depois a experiência.
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Escrito por LG